33 Dedos bem Aquecidos

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Um texto teatral inédito, escrito por Rafael Primot, dramaturgo premiado (Premio Shell 2009-SP melhor autor, Prêmio Críticos de Arte e CPT).

A peça é uma história de amor com encontros e desencontros típicos do gênero, aliada a uma pesquisa da linguagem teatral contemporânea e com personagens inusitados, que tentam recriar a si mesmos, sempre com muito humor, tanto no texto como nas situações em que se envolvem.

No espetáculo seis personagens se apresentam (interpretados por quatro atores): uma jovem bailarina (CRIS); um piloto de corrida charmoso e bem sucedido (MAURO); uma socióloga recém-formada e manca (TINA); e um rapaz gorducho, que faz bicos como taxista e que sempre usa luvas de couro (OMAR); e ainda o jovem casal formado por MICHA, uma stripper linda e RAI, namorado de Micha (que são feitos pelos mesmos atores que interpretam Cris e Mauro).

O espetáculo, não linear, começa com a apresentação de Micha e Raí, um casal que vive discutindo e que se ama de uma maneira muito louca e própria. Depois conhecemos a dupla ‘normal’ – Omar e Tina – sem sabermos que são um casal, eles se cruzam e pouco falam quando estão a sós. E então, um outro jovem casal aparece e nos encanta: Cris e Mauro. Eles são lindos, perfeitos, divertidos e educados, parecem terem sido feitos um para o outro.

Aos poucos o espectador vai percebendo que na verdade este último casal não existe, Cris e Mauro são os ‘personagens virtuais’ idealizados e criados por Omar e TIna em uma sala de bate-papo, em um chat virtual. E todas as conversas entre eles não passam para o mundo real, tudo é ilusório, cada um criou a imagem que gostaria de ter, a imagem (e personalidade) que gostaria de mostrar ao outro e ao mundo, inspirados no casal real que apareceu no começo do espetáculo: Micha e Rai. Micha é a estagiária de Tina durante o dia e Omar conheceu Raí quando foi assistir aos shows de strip na casa em que ele trabalha. Então ambos se inspiram na aparência do casal, fazem uma foto e criam seus personagens ideais no mundo virtual e só assim o casal conseguem voltar a conversar e a se redescobrir.

Tina é uma garota pouco bonita, sem muitos atrativos, ex-bailarina que perdeu seu filho e seu pé direito num infecção generalizada causada por uma picada de abelha. Ela presta serviços junto á Pastoral da Criança e trabalhou ao lado de Zilda Arns. Omar é só um motorista gorducho, sem muito estudo, que perdeu dois dedos da mão num acidente de carro e, desde então, nunca tira suas luvas de couro Harley Davidson.

Os dois juntos – e com seus 33 dedos restantes somados – tentam se enquadrar num mundo perfeito, idealizado, onde a cobrança estética e a de ser bem sucedido em suas escolhas profissionais e pessoais imperam. Nossos personagens se vêem ‘deformados’ e excluídos, sentido a necessidade de se recriarem para serem aceitos e se relacionarem.

A última cena da peça é o encontro `as escuras, um encontro inusitado entre as duas pessoas reais, que passaram a se amar no mundo virtual, mas que agora tem dificuldades em aceitar o outro “real”, mesmo havendo tanto em comum (ou os poucos dedos em comum) entre eles. A deficiência física dos personagens é uma metáfora explícita dessa aparente “anormalidade” que sentimos diversas vezes quando olhamos para nós mesmos e não nos aceitamos imperfeitos. Os personagens então precisam matar seus ‘eus’ virtuais e assim encarar a si mesmos como realmente são – e o fazem ao final.

Os dois acabam por descobrir que 33 dedos somados e bem aquecidos ainda é melhor do que os 15 dedos frios ou os 18 dedos gelados, isolados e solitários que possuíam e carregavam. O casal que até então passava por uma crise detonada pela perda do bebê e com a deficiência de Tina supera suas fraquezas e resolve tentar novamente aquela relação. Se eles terminam juntos ou não pouco importa, o mais importante é a descoberta do amor imperfeito, mas tão real e possível que fizeram.

Ficha Técnica

Texto: Rafael Primot
Direção: Alexandre Reinecke
Elenco: Caio Paduan, Clarissa Kiste, Dani Moreno e Rafael Primot
Assistente de direção: Carol Mariottini
Cenografia: Cássio Brasil
Cenotecnia: Fernando Brettas
Trilha Sonora: Daniel Maia
Figurinos: Camila Amadei
Iluminação: Lucia Chedieck
Operação de Luz: Hugo Peake
Fotos: Priscila Prade
Projeto Gráfico: Vicka Suarez
Visagismo: Alisson Rodrigues
Perucas: Diko Lorenzo
Cabelo: Cassiano Assmann
Camareira: Sandra Regina
Assessoria de Imprensa: Morente Forte
Direção de Produção: Daniella Griesi e Andresa Lenzi
Produção Executiva: Ricardo Sily

TEMPORADA
De 20 de Setembro a 3 de Novembro de 2013
Classificação : 12 anos
Gênero: Comédia

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