Assim é (se lhe Parece)

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Com humor e suspense, Marco Antônio Pâmio dirige 12 atores no clássico de Luigi Pirandello, ganhador do Nobel de Literatura. Peça questiona a essência da verdade com tons de bom humor e suspense. Cenário e figurino de Fábio Namatame, luz de Caetano Vilela

Depois de estrear no Teatro SESC Vila Mariana, o clássico da dramaturgia mundial Assim é (se lhe Parece), o primeiro grande sucesso do dramaturgo e poeta italiano Luigi Pirandello (1867-1936), que há 80 anos ganhou o Nobel de Literatura, reestreia dia 21 de maio, às quartas e quintas, no Teatro Jaraguá.

O grande elenco, sob a regência de Marco Antônio Pâmio, reúne Clara Carvalho, Rubens Caribé, Joca Andreazza, Nicolas Trevijano, Martha Meola, Fábio Espósito, Regina Maria Remencius, Ella Bellissoni, Hugo Coelho, Mara Rúbia Monteiro, Amanda Hayar e Luís Deschamps.

Na peça, escrita por Pirandello em 1917, uma família vai morar numa pequena província do interior da Sicília (sul da Itália) após sobreviver a um terremoto. Na nova cidade, eles começam a chamar a atenção dos habitantes locais. O motivo: a filha, casada, e sua mãe moram em casas separadas. Genro e sogra tentam explicar o fato com duas curiosas e conflitantes versões. A Sra. Frola (Clara Carvalho) afirma que ela e a filha vivem em casas diferentes devido à possessividade do marido da última, o Sr. Ponza (Nicolas Trevijano). Ele, por sua vez, jura que sua primeira esposa, filha da senhora Frola, está morta e que a sogra tem problemas mentais e, por isso, crê que a filha ainda esteja viva. Assim, sua segunda esposa se faz passar por filha dela para não contrariá-la. Logo, é necessário que as duas morem em casas diferentes.

Em uma interessante mescla de humor e suspense criada pelo diretor Marco Antônio Pâmio, os moradores, encabeçados pelo Conselheiro Agazzi (Joca Andreazza) e sua esposa, a Sra. Amália (Martha Meola), vão fazer de tudo para descobrir qual dos dois está mentindo e quem é, na verdade, a misteriosa Sra. Ponza.

SOBRE LUIGI PIRANDELLO (1867-1936)
Dramaturgo, poeta e romancista siciliano, é considerado um grande renovador do teatro, graças aos seus textos extremamente originais e com um profundo sentido de humor, além de um dos mais importantes autores do século XX. O tema, aliás, sempre foi uma de suas preocupações. Em 1908, publicou o ensaio “O Humorismo”, no qual distingue o cômico do humorístico com base no distanciamento. Em 1934, recebeu o Nobel de Literatura por sua “genial e ousada restauração das artes cênicas e dramáticas”. Dois anos depois, chegou a vender sua medalha para arrecadar fundos ao seu país, dentro de uma campanha iniciada por Benito Mussolini. Morreu em 1936. Seus principais trabalhos para o teatro são Seis Personagens à Procura de um Autor, Assim é (Se Lhe Parece), Cada Um ao Seu Modo, Henrique IV, Esta Noite se Improvisa e Os Gigantes da Montanha (sua última e inacabada obra dramática). Escreveu também novelas literárias e romances, entre eles UmNenhumCemMil e O Falecido Matias Pascal.

SOBRE MARCO ANTÔNIO PÂMIO
Formado em Comunicação Social pela ECA-USP, iniciou sua carreira em 1982, integrando o primeiro elenco do CPT (Centro de Pesquisa Teatral) de Antunes Filho, nas montagens de Romeu e Julieta (pela qual recebeu o prêmio APCA 1984 de ator-revelação como Romeu), Macunaíma e Nelson 2 Rodrigues. Em 1990 foi para Londres, onde cursou o One Year Postgraduate Acting Course no Drama Studio London. Trabalhou com os mais relevantes diretores do teatro brasileiro, entre eles Naum Alves de Souza, Gabriel Vilela, Zé Henrique de Paula, Sérgio Ferrara, Francisco Medeiros, Alexandre Reinecke e Domingos Nunez. Foi indicado ao prêmio Shell por Um Número, sob direção de Bete Coelho, e recebeu o APCA 2006 de melhor ator por Edmond, dirigido por Ariela Goldmann. Dirigiu Amor e Restos Humanos, de Brad Fraser; Suburbano Coração, de Naum Alves de Souza; Fica Frio, de Mário Bortolotto; Atitude!, de David Drake; Timon de Atenas e Conto de Inverno, de William Shakespeare, além de inúmeras montagens em cursos de arte dramática, como a EAD-USP, Teatro-Escola Célia Helena e Escola de Atores Wolf Maya. Também é tradutor e professor de interpretação.

Os atores e seus personagens

Lamberto Laudisi – Rubens Caribé
“Lamberto Laudisi é o alterego do autor. Ele finge também querer saber a verdade sobre a Sra. Ponza para instigar a curiosidade leviana dos demais e também é o responsável por expor os paradigmas de Pirandello: a ideia de que a verdade unívoca é impossível; que as pessoas vestem máscaras e fingem o tempo todo, e que a tragédia humana se dá pelo fato de a racionalidade ser incapaz de apreender o mundo em sua totalidade.”

A senhora Frola – Clara Carvalho
“Ela surge na cidade e se torna motivo de grande curiosidade e especulação por parte dos moradores, que acham a sua relação com o genro e a filha, que mora em outra casa, muito estranha. Ela é o pivô da história, do desvelamento de uma sociedade hipócrita que se deixa levar pelas aparências.”

O senhor Ponza, seu genro – Nicolas Trevijano
“É um personagem misterioso e muito agressivo. Ele afirma que a sua mulher, a Sra. Ponza, é sua segunda esposa, e que a filha da Sra. Frola, na verdade, está morta. O grande esforço que faço, como ator, é para que a plateia ouça o discurso do personagem como totalmente verdadeiro.”

A Senhora Ponza – a ser revelado no final do espetáculo (ou não)
A sua identidade é um segredo que o diretor Marco Antônio Pâmio prefere guardar. A personagem vive trancafiada no terceiro andar de um prédio e tem pouco contato com a mãe, a Sra. Frola.

O Conselheiro Agazzi – Joca Andreazza
“Ele articula todas as artimanhas para descobrir a verdade. É um personagem forte e interessante, que tem o poder nas mãos, mas de pensamento pequeno e mesquinho. Uma de suas marcas é que ele está sempre olhando para o relógio e tem vários bordões.”

A Senhora Amália, esposa do Conselheiro Agazzi e irmã de Lamberto – Martha Meola
“É na casa de Amália onde tudo acontece. Por ser esposa do Conselheiro, tem uma posição social destacada e se sente acima dos demais. Ela mantém uma fachada de autocontrole, mas sofre de graves perturbações emocionais.”

Dina – Amanda Hayar
“Filha do Conselheiro Agazzi e da Sra. Amália, é uma garota de 19 anos, adolescente, astuta, engenhosa, inteligente, sagaz e jovial. Ela está eufórica e curiosa em relação à família recém-chegada à cidade. Ela está instigada pela novidade, mas em alguns momentos reflete sobre a situação, sobretudo quando influenciada pelo personagem de Laudisi.”

A senhora Sirelli – Ella Bellissoni
“É uma mulher de província, com poucas ocupações. Para ela, descobrir o que está acontecendo na cidade é uma questão de vida ou morte. Para essa personagem, me inspirei nas velhinhas da cidade de Cravinhos, que eu via na infância.”

O senhor Sirelli – Fábio Espósito
“É o marido da senhora Sirelli. Ambos têm uma curiosidade quase inocente sobre a família que vem morar na cidade, mas se descontrolam, a ponto de se intrometer na vida alheia”.

A senhora Cini – Regina Maria Remencius
“Ela é a ‘amiga da amiga’. Aquela que entreouve a história e a passa adiante, aumentando um ponto. É uma das grandes responsáveis por manter a fofoca em dia e em movimento na cidade.”

A Senhora Nenni – Mara Rúbia Monteiro
“Ela e a Sra. Cini compõem uma divertida dupla. É a ‘amiga da amiga da amiga’ Os movimentos das duas são bastante sincronizados.”

Um copeiro na casa dos Agazzi – Luis Deschamps
“O copeiro tem uma função dramatúrgica muito importante. Ele, assim como Laudisi, é um personagem que observa a ação de fora. Ele é o responsável pelas transições e mudanças de cenários.”

O Senhor Prefeito – Hugo Coelho
“O prefeito tenta ser a voz da razão, uma figura mais ponderada em meio à histeria. Ele ouve os dois lados e chama para si a responsabilidade de resolver o grande mistério da peça. E claro, não consegue”.

A secretária Centuri – Mara Rúbia Monteiro
“Ela é secretária na prefeitura e uma possível amante do Sr. Agazzi. Assim como os outros personagens, é uma fofoqueira. É sensual, mas também consegue ser séria e até mesmo masculina.”

FICHA TÉCNICA
Texto: Luigi Pirandello. Tradução: Sérgio Nunes Melo. Direção: Marco Antônio Pâmio. Assistência de Direção: Gonzaga Pedrosa. Elenco: Clara Carvalho, Rubens Caribé, Joca Andreazza, Nicolas Trevijano, Martha Meola, Fábio Espósito, Regina Maria Remencius, Ella Bellissoni, Hugo Coelho, Mara Rúbia Monteiro, Amanda Hayar e Luís Deschamps. Cenários e figurinos: Fabio Namatame. Iluminação: Caetano Vilela. Direção de Produção: Renata Bertelli. Produção Executiva: Gustavo Sanna. Realização: R2B Produções. TEMPORADA – de 21 de maio a 11 de junho
Horários: Quartas e Quintas-feiras às 21h.
Observação: excepcionalmente na última semana, por conta da Copa do Mundo de Futebol, o espetáculo terá sessão terça (10) e quarta (11), sempre às 21h.
Classificação indicativa: 12 anos Duração: 90 minutos

Assessoria de Imprensa
Arteplural Comunicação – Tel 11.3885-3671

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