Meu Vo(o) Apolinário

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Texto da peça de Daniel Munduruku propõe atitude mais tolerante com as diferenças. Espetáculo estreia dia 16 de maio no Teatro Jaraguá, com os atores Wesley Leal e J. Lopes Índio

Com texto original do escritor Daniel Munduruku (menção honrosa do Prêmio Literatura para Crianças e Jovens na Questão da Tolerância, da Unesco, em 2004) e direção de José Sebastião Maria de Souza, o espetáculo Meu Vo(o) Apolinário estreia no dia 16 de maio, sábado, no Teatro Jaraguá, para temporada de dois meses, com sessões aos sábados, às 18h, e domingos, às 16h.

Com luz de Hugo Peake, pintura corporal de Mário Lúcio e preparação corporal de Isabel da Silva Teles, a peça traz no elenco os atores Wesley Leal e J. Lopes Índio. O VJ Scan assina o videocenário.

O adolescente, narrador da história, sofre bulling, por sua origem indígena, e seu sofrimento diminui com a descoberta de uma sabedoria ancestral – transmitida por seu avô – que o leva para a aceitação de si, de sua origem e de sua cultura. No palco são encenadas as memórias que o neto (personagem de Wesley Leal) guarda do avô (J. Lopes Índio). E o grande ensinamento do adulto é garantir ao pequeno índio o orgulho de sua origem, raiz e ancestralidade.

“A leveza da atuação de Wesley Leal, o menino ator-dançarino em seu devir nietzschiano, e a personagem de um avô representado por J. Lopes Índio, na sinceridade discreta e rigorosa de sua encenação, transmitem ao presente a dimensão de uma história individual e universal. Comovente em sua dignidade, esta narrativa confere uma força quase religiosa à transmissão de valores e experiências, reencantando o mundo em meio aos acelerados processos de sua despoetização”, fala a filósofa e professora Olgária Matos sobre a encenação.

De origem Munduruku (povo de tradição guerreira da região do Vale dos Tapajós, Pará), Daniel ganhou prêmio Jabuti e da Academia Brasileira de Letras pelas obras Coisas de Índio – Versão Infantil e Olho Bom do Menino, respectivamente.

Autor de 47 livros infantojuvenis sobre a cultura indígena, o escritor é formado em Filosofia, com licenciatura em História e Psicologia, doutorado em Educação pela Universidade de São Paulo (USP) e pós-doutorado em Literatura pela Universidade Federal de São Carlos.

Em toda a sua produção, o livro Meu Vô Apolinário: um Mergulho no Rio da (Minha) Memória (Studio Nobel) é o seu texto favorito, por ser emotivo e fruto de uma vivência real. “A partir da experiência com meu avô nasceu o livro e o escritor”, conta. Um casal de amigos, que segundo ele, conhece culturas do mundo todo também serviu de inspiração. “Para eles os índios têm algo que falta ao brasileiro: a ancestralidade. Pensei sobre isso e descobri um bonito significado: raízes. Concluí que esses amigos diziam que ser índio é ter raízes. Isso me fez buscar – na memória – minhas raízes ancestrais. Aí me lembrei de meu avô. Foi ele quem me ensinou a ser índio.” A partir desta descoberta, Daniel Munduruku produziu uma obra com os ensinamentos transmitidos pelo avô.

Ao falar da peça Meu Vo(o) Apolinário, o diretor José Sebastião Maria de Souza faz referência a Dostoievsky (“você só é universal quando fala de sua própria aldeia”): “Este é um espetáculo que fala de Índios. Por isso essa reflexão sobre origens, raiz, ancestralidade. Poderia ir além da aldeia Munduruku, e situar-se na Finlândia, Japão, França, Bahia ou Vila Nova Cachoeirinha. O texto de Daniel Munduruku nos ensina a ter orgulho de ser aquilo que a gente é simplesmente”.

A proposta da montagem é colaborar na formação de uma consciência cidadã. “A ideia é conduzir a plateia a uma atitude mais tolerante com relação às diferenças. Os educadores podem utilizar o espetáculo como recurso para debater sobre preconceitos”. O objetivo é refletir sobre questões presentes na sociedade brasileira quando o assunto é o “índio”, seu papel e sua contribuição para a constituição da identidade nacional.

FICHA TÉCNICA
Texto original: Daniel Munduruku.
Direção: José Sebastião Maria de Souza.
Elenco: Wesley Leal e J. Lopes Índio.
Luz: Hugo Peake.
Videocenário: VJ Scan.
Preparação corporal: Isabel da Silva Teles.
Figurino: José Sebastião Maria de Souza.
Pintura corporal: Mário Lúcio.

TEMPORADA – de 24 de abril a 19 de julho de 2015
Horários:Sábados às 18h e Domingos às 16h.
Duração: 60 minutos
Gênero: Comédia Dramática
Classificação indicativa: Livre

Ingressos: R$ 50,00 (R$ 25,00 – Meia).
Vendas: Ingresso Rápido – www.ingressorapido.com.br. e Tel: 4003.1212

Teatro Jaraguá – 265 lugares
Novotel Jaraguá – Rua Martins Fontes, 71 – Bela Vista
Informações: (11) 3255.4380
Bilheteria: terças a quinta: das 16h às 19h, sextas das 16h às 21h30, sábados a partir das 15h às 21h e domingos das 14h às 19h.
Aceita todos os cartões, débito e crédito.
Estacionamento (R$ 30,00) e Ponto de Táxi no local
Possui acesso para portadores de necessidades especiais

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