O Inferno Sou Eu

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Marisa Orth é Simone de Beauvoir em O INFERNO SOU EU, de Juliana Rosenthal K., com Paula Weinfeld e direção de José Rubens Siqueira

“Entre a fidelidade e a liberdade, haverá uma conciliação possível? A que preço? Essa celebre frase de Simone de Beauvoir (1908-1986) inspirou Juliana Rosenthal K. a escrever uma história sobre um suposto encontro em 1960 entre a já famosa filósofa e escritora francesa com Dorinha, uma jovem estudante de Letras do Recife, apaixonada pelos ideais libertários da época.

Marisa Orth volta aos palcos paulistanos interpretando uma personalidade. “Acompanhei o processo do texto e adorei o resultado alcançado pela Juliana. Interpretar Simone de Beauvoir nesse contexto está sendo um agradável desafio”, diz Marisa que chamou o diretor José Rubens Siqueira para conduzir essa delicada história. “O Zé Rubens é um diretor de ator, nos faz crescer em cena. Tinha que ser ele”, completa a atriz.
Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir ficaram três meses no Brasil em 1960, e seus últimos dias no País foram passados no Recife.

Na peça, Simone ainda não estava curada de tifo, que contraíra na Amazônia. Eles se hospedam na casa de Marta, por quem Sartre se apaixona. Marta, então, contrata Dorinha para cuidar de Simone. “O que mais me atraiu na peça foi a qualidade do texto, que permite ir além da mera narrativa. Permite partir de uma personagem real, numa época determinada e saltar para uma reflexão sobre a condição da mulher… Não, não só da mulher: do ser humano de qualquer sexo em busca de um nível superior de consciência. Em busca da felicidade”, afirma José Rubens Siqueira que completa: “É uma peça cheia de humor, mas profunda, compacta na busca de sentimentos e significados inconscientes, arquetípicos, sem deslizar para o psicológico”.

Com muita sensibilidade, diálogos fluídos e ironia, a peça retrata um encontro improvável, mas transformador entre duas mulheres de realidades totalmente diferentes que irão se conhecer além das aparências. “Não há julgamentosdas atitudes ou ideias. O objetivo é que o público se identifique com as personagens e tirem suas próprias conclusões.”, comenta Juliana Rosenthal K. que se inspira no fato real da vinda do casal mais famoso de filósofos do século XX para o Brasil para abrir o diálogo entre as diversas facetas de Simone de Beauvoir – o mito, a mulher, a amante, a professora – com a jovem admiradora e interessada estudante de Letras do Recife nos anos 60.

Além de resgatar um período de grande efervescência cultural no Brasil, O inferno sou eu resgata a memória desses importantes intelectuais franceses, ao discutir temas importantes e atemporais como os relacionamentos amorosos e o papel da mulher na sociedade. O resgate dessa época também se dará através do cenário de Isay Weinfeld e figurinos de Cássio Brasil. Iluminação de Guilherme Bonfanti. Desing gráfico de Gringo Cárdia.

Para viver Dorinha, foi realizado teste com atrizes e Paula Weinfeld ganhou o papel pelo talento de imprimir veracidade nos diálogos e enfrentamentos de sua jovem sonhadora com a astúcia, inteligência e cultura de uma das mais conceituadas filósofas de todos os tempos, interpretada por Marisa Orth, “por inteiro”, segundo José Rubens Siqueira.

Muito já foi dito e escrito sobre Simone de Beauvoir, e mesmo quase trinta anos após sua morte, as discussões sobre sua vida e obra continuam extremamente atuais.

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