Vidas Privadas

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De Nöel Coward, o texto – que completa 85 anos – leva ao público à sofisticação e o estilo de Sir. Noël Coward Peirce (1899/1973). Dramaturgo Inglês, compositor, ator, diretor e cantor, conhecido por sua sagacidade, extravagância, e que a revista Time considerou com “um senso de estilo pessoal, uma combinação de cheek and chic, pose e atitude”.

Com direção de José Possi Neto, Vidas Privadas tem no elenco Lavínia Pannunzio (Amanda Pryne), José Roberto Jardim (Elyot Chase), Maria Helena Chira (Sybil Chase) e Daniel Alvim (Victor Prynne). Com produção de João Federici, da Ideias e Ideais, que comprou os direitos da montagem no Brasil, a bem cuidada encenação tem tradução e adaptação de Marcos Renaux, figurinos de Fábio Namatame, cenários de Marco Lima, luz de Wagner Freire e caracterização Westerley Dornelles. O glamour do espetáculo é enfatizado pela trilha sonora, com a música-tema Some Day I’ll Find You – composta para o espetáculo pelo próprio autor -, pelo cenário marmorizado, figurinos e cabelos, todos ao estilo art deco, do início da França dos anos 30.

Trata-se de uma comédia sobre a história de um casal divorciado há cinco anos, que, ao se reencontrar durante a lua de mel, com seus respectivos novos pares, vê o amor renascer e resolvem fugir para Paris. O fato desencadeia uma hilária trajetória com diálogos divertidíssimos.

Uma das histórias mais contadas em vários idiomas, no Teatro, na TV e no Cinema e que chega ao Brasil após 30 anos da famosa montagem na Broadway com Richard Burton e Elizabeth Taylor. Burton e Taylor, estavam separados pela segunda vez quando, em 1983, a atriz – então com 50 anos – lhe propôs que fizessem uma peça juntos, Private Lives, do dramaturgo inglês Noël Coward (16 de dezembro de 1899 – 26 março 1973). Após o termino da conturbada temporada na Broadway, Liz Taylor internou-se numa clinica de reabilitação e Burton morreu nove meses depois, aos 59 anos.

O charme da história real, vivida por uma das duplas mais famosas do cinema, e que alimentou como ninguém o noticiário sobre a intimidade das celebridades, poderá ser conferida agora, três décadas depois.

Para o diretor “não é só comédia, pois há uma discussão moral por trás disso. Existe a construção de um raciocínio nonsense. E de alguma maneira ele prenuncia uma linguagem que ficou muito forte, que foi o besteirol. Não um besteirol completo, algo com uma linguagem mais jovem, como as séries de TV de hoje em dia. Tem um paralelo com a linguagem contemporânea. Estamos falando dos anos loucos, e de uma sociedade que foi precursora em uma série de atos mais libertários e de discussão moral, e é disso que a peça trata. Uma discussão de valores morais criando situações absurdas. O texto é muito inteligente”.

A montagem
O produtor João Federici, que já conhecia o texto, comprou os direitos para montá-lo no Brasil após assistir uma montagem na Broadway com Kim Cattrall e Paul Gross, nos papéis principais, há três anos, e convidou José Possi Neto, “parceiro de décadas”, para dirigir. Marcos Renaux foi logo de início parceiro na tradução e adaptação dando ao texto a contemporaneidade necessário sem perder nenhum traço original do autor.

Federici buscou além do diretor e tradutor, profissionais que somassem ao projeto a ideia de manter o texto o mais original possível e com a ação na década original já que o texto de Coward é de uma “atualidade assustadora”.

José Possi Neto aposta numa encenação realista. “A montagem é fiel aos anos 1930, mas vamos trazer a interpretação dos atores para os dias atuais. Porque o hoje daquela época é o agora. O texto é muito elaborado, e ao mesmo tempo super compreensível para o público. Por trás do texto tem algo de nonsense, mas com uma estrutura realista”, cometa o diretor.

O cenário de Marco Lima é todo marmorizado, ao estilo art deco, reproduz as duas suítes com sacadas de um hotel, no primeiro ato, e a sala de um apartamento, em Paris, no segundo. A transição é feita por contra-regras vestidos como bell boys (mensageiros). Os figurinos de Fábio Namatame são luxuosos e compõe a atmosfera dos anos 30.

Intimidade revelada
Richard Burton e Elizabeth Taylor já estavam separados pela segunda vez quando, em 1983, a atriz lhe propôs que fizessem uma peça juntos, Private Lives, do dramaturgo inglês Noël Coward.

“Quem conhece a história da vida da Elizabeth Taylor e do Richard Burton acha que o Coward escreveu para eles, mas ele escreveu 50 anos antes. Eles se divorciam duas vezes e tinham uma relação muito intensa e até violenta. Liz Taylor comprou o texto e em sua festa de 50 anos, convidou Burton para fazer a peça com ela numa maneira de tê-lo mais perto,” conta Federici.

Só que a parceria profissional foi tensa. Já no primeiro ensaio, Taylor chegou atrasada e nem havia lido o texto. O comportamento dela chatearia Burton ainda mais. “ET continua bebendo. Só vinho, ela diz. Não pode nem ler as falas direito”, escreveu em seu diário, à época.

Noël Coward
Com mais de 40 peças que entram e saem de cartaz no mundo todo, filmes e centenas de músicas compostas (algumas populares até hoje), o dramaturgo Nöel Coward foi também ator e diretor. Escreveu musicais e operetas e ganhou um Oscar especial por Nosso Barco, Nossa Alma, o filme da tropa inglesa na Segunda Guerra, que co-dirigiu com o David Lean. Coward teve um disco-tributo gravado por expoentes do pop inglês (selo EMI) e celebrizou um estilo de vida sofisticada, entre flûtes de champanhe e piteiras. Morreu com o título de sir, deixando compilações de contos e três autobiografias.

Os atores e seus personagens

Lavínia Panunzio – Amanda Prynne
“É uma mulher que só tem um compromisso, e é com a excelência. Aquela coisa de estar bem sempre. Ela também é muito instintiva. È libertária, porém é algo além do feminismo. Ela flerta com a liberdade irrestrita, não importando o gênero. Além de ser muito explosiva.”

José Roberto Jardim – Elyot Chase
“O personagem é muito sedutor. E não só a sedução do possuir fisicamente, é possuir em outros âmbitos. Ele é como aqueles intelectuais que se divertem em ver as mazelas no mundo e dar tapa na cabeça das pessoas, como um gato brigando com um rato. Ele é uma leitura disso. Algo como Truman Capote, um jeito de ver o mundo com distanciamento e sarcasmo. Ele vê a vida com sarcasmo, e não só por causa da história de vida que ele teve com Amanda, que o machucou muito. Ele tem um cinismo com a vida, e trata as pessoas com ar de superioridade.”

Daniel Alvim – Victor Prynne
O Victor é o contraponto da Amanda, no sentido moral. Ele traz um pouco da moralidade da época, e a personalidade dele é essa. Ele é correto, muito verdadeiro. É extremamente apaixonado pela Amanda, por isso não hesita em ir atrás dela.”

Maria Helena Chira – Sybil Chase
“A Amanda tem 23 anos, e é a mais mimada, mais menina e mais inocente, mas também tem alguma esperteza. Ela quer saber da ex-mulher do Elyot, fica atrás dessas informações, mas não aguenta quando ele fala sobre sua ex-mulher. E fica um jogo entre eles. Também existe uma preocupação, porque ela casou com um homem divorciado, então precisa mostrar para os outros que quem se divorciou da outra foi ele, e não o contrário. Porque naquela época, você processava a pessoa, existia o réu no divórcio, e se ele se divorciou, é porque a ex-mulher foi uma adultera ou por algum outro motivo, e ele é o santo na história. Ela tem essa preocupação moral com sociedade.”

FICHA TÉCNICA
Texto: Nöel Coward – Tradução: Marcos Renaux.
Direção: José Possi Neto
Elenco: Lavínia Pannunzio, José Roberto Jardim, Daniel Alvim e Maria Helena Chira
Figurino: Fábio Namatame
Iluminação: Wagner Freire
Cenário: Marco Lima
Produção: João Federici
Patrocinio: Taesa, Eurofarma, Viação Cometa e SIL
Website: www.vidasprivadasacomedia.com

TEMPORADA – de 10 de maio a 3 de agosto
Horários: Sextas-feiras, às 21h30, sábados, às 21h e domingos às 19h.
Classificação indicativa: 14 anos

Assessoria de Imprensa
Arteplural Comunicação – Tel 11.3885-3671

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